segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Show de horrores

Ontem foi dia de eleição. Desde que começaram as propagandas políticas, foram poucos os dias que eu não tive paciência para escutar cada candidato. Nenhum me convenceu. Pensei, pensei, perguntei, pedi ajuda para me decidir. E nada. Surgindo oportunidade de viajar justo no final de semana de eleição, fui sem muito remorso. "Melhor justificar que votar em branco", pensei. Acho realmente triste não conseguir se decidir em meio a tantos candidatos. Se é que pode-se chamar aquele "show de horrores" de candidatos.

No fim do domingo, por engano peguei um ônibus errado e fui parar na periferia da cidade onde estava. Foi chocante: a quantidade de santinhos emporcalhando o chão e banners de canditados era assustadora. Por trás de tanta propaganda, casebres caindo aos pedaços no meio de esgoto a céu aberto. Por trás dos casebres, dava para ver os morros pelados, completamente devastados. Um vira-latas fuçava no meio dos papéis que sujavam a cidade, procurando alguma comida. Nas ruelas que mal passavam pessoas de bicicleta, notei que algum morador teve a feliz idéia de pegar um pedaço de madeira e escrever o nome da rua, para depois pendurar no poste.

O mais impressionante, contudo, não era a pobreza e a sujeira do subúrbio. Nem o dinheiro gasto com propagandas políticas. Os moradores daquele lugar estavam todos felizes e comemorando as eleições. Uns abraçando os outros, tomando pinga e cerveja, colocando música alta. Na cara das pessoas, a felicidade. Ainda no ônibus, passei na frente de uma portinha que me permitiu ver um boteco imundo. Cheio de cachaça e outras bungingangas nas prateleiras. Lá dentro, pessoas brindavam.

Fiquei pensando pq estariam felizes. Será que eles têm realmente esperança que as coisas melhorem? Afinal, eleição é isso né? Renovação de esperanças; uma espécie de "reveillon". Esperança misturado com ignorância? Ou será que o problema é comigo? Eu estava arrasada por conta das eleições, e não tinha idéia que gente em piores condições que eu, poderia estar tão feliz! Será que o erro é meu, em não acreditar?

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