Se é pra ter um jardim, como ele seria?
Claro, todo mundo quer o jardim mais lindo. Se me pego em devaneios, começo a delirar com uma imensidão verde... de repente me vejo caminhando num campo com lavandas perfumadas ou cheio de florzinhas amarelas. Algumas árvores grandes, ideiais para pequeniques na sombra. Imagino aquele campo imenso, sem cercas, sem calor, sem frio, a temperatura ideal. No meu jardim, até o chão é meio macio. E tem joaninhas e borboletas. E tem barulhinhos bons de mato, passarinho e vento. E perfume. Muito perfume. De terra, de mato e de flores. E tem aquela árvore maior de todas, onde tem um balanço de cordas e tábua, esperando por mim.
E no meu jardim, o céu é bem azul durante o dia, com algumas nuvens branquinhas, bem fofinhas. Não aquelas espalhadas. Aquelas fofinhas mesmo. E no meu jardim, à noite, tem estrelas. Milhares delas. Algumas cadentes, até! E lua. Em cada fase, para eu sentir que o tempo passa, mas que meu jardim continua ali, sempre meu, sempre me esperando, sempre acolhedor, sempre um refúgio do mundo caótico.

Ah! O mundo caótico...
Voltando à ele, me lembro que não, eu não tenho espaço pra esse jardim. Muitas vezes, o espaço na verdade é nenhum, e a gente pega emprestado pedaços da sala mínima do apartamento e cuida apenas de um vasinho. Tá. Não tenho o espaço. Então, não tenho o solo. Não tenho a árvore e nem o balanço. Vem a depressão: onde estão as borboletas e as joaninhas? E o perfume e todas as cores? Porquê não temos as coisas como queremos?
Arte é aprender a dar valor ao que temos, e continuar sonhando com o que queremos. E mesmo se não conseguirmos, conseguir viver os momentos nos nossos sonhos.

Um comentário:
Adorei!!!
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